Reino Unido aprova papel da Huawei na construção de rede 5G

Especialistas e outros líderes europeus já haviam falado que proibir os equipamentos da gigante chinesa atrasaria e encareceria o lançamento da rede 5G
Por Administrador

 

O governo britânico aprovou um papel restrito à Huawei na construção da rede 5G no país o início desta semana. A gigante chinesa, fornecedora de equipamentos e serviços para rede e telecomunicações com sede em Shenzhen, anunciou que recebeu confirmação do governo britânico de que pode continuar a trabalhar com os clientes para continuar construindo o 5G.

Victor Zhang, vice-presidente da Huawei, disse que “a decisão baseada em provas resultará em uma infraestrutura de telecomunicações mais avançada, mais segura e com maior custo-eficiência ajustada para o futuro”. Tal decisão foi tomada quase um ano depois de o governo britânico dizer que iria analisar se permitiria a presença dos dispositivos de infraestrutura da Huawei na rede móvel 5G da nação.

Outros países europeus, incluindo a Alemanha, também devem fazer seus pareceres sobre a gigante tecnológica chinesa. Líderes europeus já disseram que a construção da rede 5G pode ser mais cara e mais lenta sem os equipamentos da Huawei.

“Eu penso que a decisão do Reino Unido poderá influenciar as decisões nos outros mercados”, disse à Xinhua Kester Mann, diretor de consumidor e conectividade da CCS Insight, uma empresa de pesquisa e consultoria concentrada no setor de comunicações móveis. “Se a Huawei for proibida em algum país, isso não irá beneficiar ninguém”.

“A tecnologia da Huawei está profundamente embutida nos padrões mundiais que suportam o 5G”, disse Peter Williamson, professor da Judge Business School da Universidade de Cambridge. “Os custos para o Reino Unido excluir a Huawei seria enorme e uma exclusão total é virtualmente impossível.”

O embaixador chinês na Grã-Bretanha, Liu Xiaoming, já havia advertido que banir a Huawei poderia significar um retrocesso para a nação, que ficaria atrasada em tecnologia. Essa opinião é compartilhada por diversas operadoras de telecomunicações britânicas, que admitiram que proibir os equipamentos da Huawei atrasaria o lançamento do 5G na Grã-Bretanha.

Críticos disseram que o governo dos Estados Unidos está fabricando o “risco Huawei” em nome da “segurança nacional”. O Comitê Seletivo de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Comuns britânica concluiu que não há nenhuma prova técnica para excluir a Huawei completamente do 5G da Grã-Bretanha, nem outras redes de telecomunicações. A China já enfatizou repetidamente que nunca pediu e jamais pediria para as companhias coletarem dados, informações ou inteligência por meios ilegais em outros países.

As estatísticas mostraram que de 2012 a 2017, a Huawei gerou 2 bilhões de libras (US$ 2,6 bilhões) para a Grã-Bretanha através de investimento e aquisição, e criou 26 mil empregos. No início de 2018, a companhia prometeu investir outros 3 bilhões de libras (US$ 3,9 bilhões) no país nos próximos cinco anos.

Publicado em: 30/01/2020

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