Brasil busca financiamento em yuan na China para reduzir custos do Tesouro

Ao emitir títulos no mercado chinês, governo diversifica suas fontes de crédito e diminui a dependência das taxas de juros do dólar
Por Administrador

O Ministério da Fazenda entregou, na última quarta-feira (25), a carta de intenção para a emissão de Panda Bonds​, títulos de dívida denominados em yuan emitidos por estrangeiros no mercado chinês, à Associação Nacional de Investidores Institucionais da China.

Este é o primeiro passo formal para que o Brasil lance títulos soberanos em moeda chinesa, marcando uma nova fase na cooperação financeira bilateral e o crescente apetite global por ativos em yuan.

Do setor privado ao Tesouro

A iniciativa ganha força após o sucesso da fabricante de celulose Suzano, que em 2024 tornou-se a primeira empresa não financeira da América do Sul a emitir Panda Bonds (1,2 bilhão de yuans em títulos verdes).

Enquanto a Suzano abriu o caminho no nível corporativo, o governo brasileiro eleva a parceria ao âmbito soberano. A agilidade é notável: há pouco mais de duas semanas, em 9 de junho, o presidente do Banco Popular da China (PBOC), Pan Gongsheng, havia manifestado apoio público à ideia durante a reunião do Grupo de Trabalho Sino-Brasileiro.

A vantagem do custo

O principal atrativo dessa operação é a economia de juros. Enquanto os empréstimos em dólar giram entre 4,5% e 5,5%, os Panda Bonds emitidos por grandes instituições estrangeiras têm taxas entre 1,7% e 2,2%. “Isso permite uma economia significativa em cada operação”, explica Zhang Xu, da Everbright Securities.

Segundo o PBOC, o volume de emissões de Panda Bonds nos primeiros cinco meses de 2026 já atingiu 136,5 bilhões de yuans, 1,9 vez o registrado no mesmo período do ano anterior, impulsionado também pela simplificação dos mecanismos de registro na China.

Atualmente, emissores variam de soberanos (Polônia, Egito) a multinacionais (Mercedes-Benz, Bayer) e bancos de desenvolvimento. Em 2025, os títulos de médio e longo prazo responderam por 61% do mercado, refletindo a confiança estrangeira na estabilidade da China.

Para Wen Bin, economista-chefe do Banco Minsheng, o dinamismo desses títulos cria uma “interação positiva” com o uso internacional do yuan, formando um ciclo sustentável de liquidez e investimento que descola as economias emergentes da dependência exclusiva do dólar.

Publicado em: 29/06/2026

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