Empresas chinesas no Brasil buscam se integrar à sociedade local

O primeiro e principal desafio é o idioma, mas as empresas vêm encontrando soluções criativas para superar essas barreiras
Por Administrador

 

As empresas chinesas têm investido cada vez mais diretamente no exterior desde o início da reforma e abertura e a sua maneira de manter uma relação amistosa com os governos e moradores locais é um tema bastante interessante de ser analisado. Huang Zhiyang, gerente técnico da FJEPC Construções em Energia Elétrica do Brasil, afirma que o significado da integração na sociedade local é bem grande.

A China é desde 2009 o maior parceiro comercial e a segunda maior fonte de importações do Brasil, o que fez com que muitas empresas chinesas aproveitassem as oportunidades de investimento no país sul-americano. Dois exemplos são a própria FJEPC, que participa da construção da linha de transmissão de ultra-alta voltagem (UAV) no Rio Xingu, e o Shandong Eletric Power Engineering Consulting Institute (SDEPCI), empreiteiro do Projeto Pampa Sul, em Candiota. Elas estão no mercado brasileiro desde 2016 e 2015, respectivamente e afirmam ter enfrentado diversas dificuldades na integração social.

Wu Zhen, intérprete da SDEPCI, afirmou que a primeira etapa a ser superada é a dos obstáculos idiomáticos. No início, a empresa organizou cursos linguísticos para os colegas chineses, mas a adesão a eles foi pequena. Para contornar essa dificuldade, Wu falou que os chineses levavam ao Brasil, após viagens à China, pequenos artesanatos com características culturais do país, como forma de “melhorar a amizade entre os colegas”. Gradualmente, os chineses passaram a estudar português de forma passiva, e depois ativa, o que permitiu que funcionários dos dois países, que tinham “comunicação zero”, se tornassem “bons amigos”.

A FJEPC afirma ter enfrentado o mesmo problema, e para superá-lo, convidou um professor para ensinar português online. Além disso, a empresa também organizou um concurso linguístico entre os chineses, de maneira a incentivar o interesse dos colegas nesse idioma.

Em relação à economia, os dois projetos encontram-se em situação semelhante. Localizados em lugares relativamente subdesenvolvidos, mas abundantes em recursos ambientais (Candiota, no RS, e Rio Xingu, no PA), as empresas usam tais recursos de maneira adequada enquanto aliviam a carência de eletricidade e incentivam o desenvolvimento local. Exemplo disso pode ser visto no Projeto Pampa Sul, que criou mais de 32 mil empregos diretos e 8 mil indiretos no local durante a construção, o que aliviou o desemprego na cidade. Estatísticas de 2017 mostram que mais de 300 empresas chinesas no Brasil oferecem quase 20 mil cargos para os brasileiros.

A tendência de investimento chinês no Brasil está ainda mais forte atualmente, e não envolve apenas o setor de infraestrutura, mas também o das finanças, saúde, energia, entre outros. De acordo com as estatísticas, o volume de investimento chinês no país atingiu quase US$ 40 bilhões até 2017. Apenas no primeiro semestre de 2018, o valor foi de US$ 1,34 bilhão, quatro vezes a mais que o mesmo período do ano anterior.

Huang afirmou que para as empresas da China, a integração ativa à sociedade local não é favorável apenas à promoção do projeto e à afirmação da comunidade local, mas também contribui para o desenvolvimento sustentável e harmonioso dos dois países. “O mais importante, representa a fisionomia espiritual das empresas chinesas e promove comunicação da cultura chinesa, a fim de demonstrar a amizade dos chineses no cenário mundial”, ressaltou.

Publicado em: 03/01/2019

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