Ligados na energia: Brasil e China constroem juntos um futuro verde no setor elétrico

Por Administrador

Por Wei Mingxin

A 30ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), realizada em Belém do Pará, Brasil, chegou ao fim. Após negociações intensas, foi aprovado o documento político “Mutirão Global: unindo a humanidade em uma mobilização global contra a mudança climática”, abrangendo mitigação e adaptação às mudanças climáticas, financiamento climático e cooperação internacional. As Partes concordaram em triplicar o financiamento para adaptação até 2035 e estabelecer um mecanismo de transição justa. Esses resultados injetaram novo impulso na governança climática global e abriram um espaço mais amplo para a cooperação profunda entre as nações. Guiada por esta missão comum, a State Grid Brazil Holding (SGBH), empresa chinesa com mais de uma década atuando no país, não é apenas construtora de infraestrutura energética, mas também uma impulsionadora ativa da cooperação verde e da transição energética bilateral.

Ação e compartilhamento – Diante dos crescentes desafios climáticos, o papel das empresas na transição energética torna-se cada vez mais crucial. Sun Tao, presidente da SGBH, destacou: “A transição energética é o pano de fundo; o baixo carbono e o desenvolvimento verde são as ações inevitáveis, mas é preciso, antes de tudo, garantir o fornecimento seguro de energia”.

A prática verde da SGBH materializa-se no projeto de ultra-alta tensão de ±800 kV no Nordeste brasileiro, atualmente em desenvolvimento. Este projeto, o maior da história do Brasil, assemelha-se a uma “artéria verde” que cruzará o país ao levar energia limpa por longas distâncias. A tecnologia chinesa de ultra-alta tensão, com suas vantagens distintivas de “baixa perda em longas distâncias, grande capacidade e ocupação e danos mínimos aos recursos ambientais”, adequa-se perfeitamente à vastidão territorial e à distribuição dos recursos energéticos do Brasil.

O provérbio africano “se quiser ir rápido, vá sozinho; se quiser ir longe, vá junto” traduz bem o espírito da cooperação. Para enfrentar os desafios à estabilidade do sistema elétrico decorrentes da integração massiva de novas fontes de energia, a SGBH liderou a criação da Aliança para Inovação e Compartilhamento Tecnológico no Setor Elétrico (EISA, na sigla em inglês). Segundo Sun Tao, os membros da aliança cresceram de 14 para mais de 20, com uma missão clara: “solucionar coletivamente riscos potenciais do desenvolvimento de novas energias, compartilhar tecnologias e equipamentos avançados e estudar em conjunto os desafios futuros de todo o setor elétrico”.

O Brasil tem uma história sólida no desenvolvimento de seu sistema elétrico, e a China, que um dia buscou aprender com Itaipu, hoje lidera o mundo em tecnologia de transmissão em corrente contínua. Em janeiro de 2024, o projeto de reforma do sistema de Itaipu foi contratado por uma empresa subsidiária da State Grid Corporation of China. Como observa Sun Tao: “Empresas e países têm seus próprios estágios de desenvolvimento. Os desafios que enfrentamos agora também serão enfrentados pelo Brasil no futuro. Por isso, fortalecer a cooperação é fundamental para evitar desvios”.

Este ano, a EISA comemorou o seu primeiro aniversário no China Corner da COP30 e divulgou um relatório de resultados, mostrando ao mundo os avanços tecnológicos em áreas como integração de novas energias, redes inteligentes e armazenamento de energia, além de propor soluções adaptadas à realidade brasileira.

Desenvolvimento e coexistência – Ao longo de mais de uma década no Brasil, a SGBH não apenas desenvolveu infraestrutura energética, mas também se dedicou a promover o intercâmbio cultural. Sun Tao expressou profunda convicção: “Adotamos a estratégia de ‘mercadorização, longevização e localização’, que não apenas diz respeito ao desenvolvimento empresarial, mas é também uma prática importante para promover o intercâmbio cultural entre China e Brasil”.

O apoio contínuo ao projeto “Orquestra Maré do Amanhã”, mantido há 13 anos, oferece a crianças de comunidades vulneráveis novas perspectivas de vida. “Esse projeto permitiu que crianças locais encontrassem outro caminho de crescimento, distante das armas, das drogas e da violência”, explicou Sun Tao. Ali, a música é mais do que arte: é uma ponte que transforma realidades. O “Jardim da Amizade China-Brasil – Elo do Chá”, localizado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, é um outro vívido exemplo deste intercâmbio.

A exposição sobre cultura do chá, dentro, apoiada pela SGBH, conforme destacou o curador brasileiro Lorrayne Rodrigues, “mostra aos visitantes a história do desenvolvimento do chá no Brasil e seu significado na cultura chinesa. Muitos visitantes vêm especificamente para vê-la e gostam muito da exposição”.

Em 2026, China e Brasil comemorarão conjuntamente o “Ano da Cultura China-Brasil”, e a SGBH já iniciou os preparativos, planejando continuar a contar a história do chá e do café, além de realizar uma série de atividades de intercâmbio entre as duas culturas.

Nas palavras de Sun Tao: “Por meio desses intercâmbios, não promovemos apenas a ‘conectividade dura’ da infraestrutura e a ‘conectividade suave’ da tecnologia, mas, sobretudo, a ‘conectividade entre pessoas’”. Esse modelo permite à empresa cumprir suas responsabilidades socioeconômicas enquanto atua como ponte entre civilizações.

Perspectivas futuras – A Quarta Plenária do 20º Comitê Central do PCCh, ao implantar as tarefas estratégicas e grandes medidas para o 15º Plano Quinquenal (2026-2030), propôs a expansão da abertura de alto nível e a abertura de novos cenários de cooperação e benefícios mútuos.

Colocando em perspectiva o 15º Plano Quinquenal, o plano de desenvolvimento da SGBH é claro: até 2026, avançar compreensivamente com o projeto de ultra-alta tensão no Nordeste brasileiro; até 2028, concluir a implantação do terceiro circuito de transmissão no Brasil e preparar ativamente a licitação para o quarto circuito. A longo prazo, almeja-se duplicar ativos e lucros até 2032, tornando-se uma “empresa energética de classe mundial” que ressoa em sintonia com o Plano Nacional de Energia 2030 (PNE 2030) do Brasil.

Manter a cooperação aberta e o benefício mútuo é um requisito inevitável da modernização chinesa. Os planos quinquenais da China orientam as empresas chinesas no exterior, e a postura firme, positiva e construtiva demonstrada pela China na COP30, baseada na cooperação multilateral, em ações pragmáticas e em inovação tecnológica, impulsiona a governança climática global, fornecendo um ambiente internacional mais estável para que empresas como a State Grid avancem em projetos de energia verde no Brasil e no mundo.

No esforço global para enfrentar as mudanças climáticas, a cooperação é o único passaporte. Através de práticas empresariais como as da State Grid, China e Brasil demonstram vividamente como transformar desafios em oportunidades e converter visões em ações. Este caminho verde não é apenas uma rota de transmissão de energia ou um campo de inovação tecnológica; é uma ponte de amizade que aproxima os corações dos dois povos.

Este texto foi publicado originalmente na revista China Hoje. Clique aqui, inscreva-se na nossa comunidade, receba gratuitamente uma assinatura digital e tenha acesso ao conteúdo completo.

Publicado em: 14/01/2026

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